Entardecer

Entardecer

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Mulher sem razão

Saia dessa vida de migalhas
Desses homens que te tratam
Como um vento que passou
Caia na realidade, fada
Olha bem na minha cara
E confessa que gostou
Do meu papo bom
Do meu jeito são
Do meu sarro, do meu som
Dos meus toques pra você mudar
Mulher sem razão
Ouve o teu homem
Ouve o teu coração
Ao cair da tarde
Ouve aquela canção
Que não toca no rádio
Pára de fingir que não repara
Nas verdades que eu te falo
Dê um pouco de atenção
Parta, pegue um avião, reparta
Sonhar só não dá em nada
É uma festa na prisão
Nosso tempo é bom
E nós temos de montão
Deixa eu te levar então
Pra onde eu sei que a gente vai brilhar
Mulher sem razão
Ouve o teu homem
Ouve o teu coração
Batendo travado
Por ninguém e por nada
Na escuridão do quarto
(A. Calcanhoto)

Poemas

Versos Íntimos
Augusto dos Anjos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu no Engenho Pau d'Arco, Paraíba, no dia 20 de abril de 1884. Aprendeu com seu pai, bacharel, as primeiras letras. Fez o curso secundário no Liceu Paraibano, já sendo dado como doentio e nervoso por testemunhos da época. De uma família de proprietários de engenhos, assiste, nos primeiros anos do século XX, à decadência da antiga estrutura latifundiária, substituída pelas grandes usinas. Em 1903, matricula-se na Faculdade de Direito do Recife, formando-se em 1907. Ali teve contato com o trabalho "A Poesia Científica", do professor Martins Junior. Formado em direito, não advogou; vivia de ensinar português. Casou-se, em 04 de julho de 1910, com Ester Fialho. Nesse ano, em conseqüência de desentendimento com o governador, é afastado do cargo de professor do Liceu Paraibano. Muda-se para o Rio de Janeiro e dedica-se ao magistério. Lecionou geografia na Escola Normal, depois Instituto de Educação, e no Ginásio Nacional, depois Colégio Pedro II, sem conseguir ser efetivado como professor. Em 1911, morre prematuramente seu primeiro filho. Em fins de 1913 mudou-se para Leopoldina MG, onde assumiu a direção do grupo escolar e continuou a dar aulas particulares. Seu único livro, "Eu", foi publicado em 1912. Surgido em momento de transição, pouco antes da virada modernista de 1922, é bem representativo do espírito sincrético que prevalecia na época, parnasianismo por alguns aspectos e simbolista por outros. Praticamente ignorado a princípio, quer pelo público, quer pela crítica, esse livro que canta a degenerescência da carne e os limites do humano só alcançou novas edições graças ao empenho de Órris Soares (1884-1964), amigo e biógrafo do autor.
Cético em relação às possibilidades do amor ("Não sou capaz de amar mulher alguma, / Nem há mulher talvez capaz de amar-me"), Augusto dos Anjos fez da obsessão com o próprio "eu" o centro do seu pensamento. Não raro, o amor se converte em ódio, as coisas despertam nojo e tudo é egoísmo e angústia em seu livro patético ("Ai! Um urubu pousou na minha sorte"). A vida e suas facetas, para o poeta que aspira à morte e à anulação de sua pessoa, reduzem-se a combinações de elementos químicos, forças obscuras, fatalidades de leis físicas e biológicas, decomposições de moléculas. Tal materialismo, longe de aplacar sua angústia, sedimentou-lhe o amargo pessimismo ("Tome, doutor, essa tesoura e corte / Minha singularíssima pessoa"). Ao asco de volúpia e à inapetência para o prazer contrapõe-se porém um veemente desejo de conhecer outros mundos, outras plagas, onde a força dos instintos não cerceie os vôos da alma ("Quero, arrancado das prisões carnais, / Viver na luz dos astros imortais").
A métrica rígida, a cadência musical, as aliterações e rimas preciosas dos versos fundiram-se ao esdrúxulo vocabulário extraído da área científica para fazer do "Eu" — desde 1919 constantemente reeditado como "Eu e outras poesias" — um livro que sobrevive, antes de tudo, pelo rigor da forma. Com o tempo, Augusto dos Anjos tornou-se um dos poetas mais lidos do país, sobrevivendo às mutações da cultura e a seus diversos modismos como um fenômeno incomum de aceitação popular. Vitimado pela pneumonia aos trinta anos de idade, morreu em Leopoldina em 12 de novembro de 1914.

O poema acima foi incluído no livro "
Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século", organizado por Ítalo Moriconi para a Editora Objetiva - Rio de Janeiro, 2001, pág. 61.
Obrigado, Luiz Carlos, pela lembrança!
 


Sala São Paulo - Um dos meus lugares favoritos

Receita de comida Arabe - Mulukhie

  • 1 frango grande
  • 1 maço de coentro
  • 4 cabeças de alho
  • 4 cebolas
  • Pimenta síria
  • 1/2 pacote de mulukhie (são folhas secas compradas em casa de produtos árabes)
  • Sal
  • 2 colheres de manteiga


Modo de preparo:

  1. Cozinhar o frango sem pele por aproximadamente 30 minutos, jogar toda a água fora e recolocar o frango para ferver por mais 30 minutos
  2. Deixar esfriar e desfia-lo, porém não muito
  3. Reservar
  4. Retirar todos os cabinhos das folhas de mulukhie, lavar muito bem e deixar de molho por aproximadamente 20 minutos
  5. Após isso, colocar as folhas em um escorredor para retirar bem a água, as folhas são oleosas, é normal
  6. Em uma panela grande colocar um pouquinho de óleo e uma porção das folhas para amolecerem bem, isso deve ser feito pouco a pouco, uma especie de refogada rápida nas folhas
  7. Retirar e colocar em um pirex, repetir o processo até terminar de refogar as folhas somente no óleo
  8. Reserve
  9. Usar uma panela grande e funda, colocar todos os alhos amassados, as cebolas cortadas em 3 partes, o coentro, a pimenta síria, o sal em quantidade necessária e refogar tudo, não queimar a cebola e nem o alho
  10. Acrescentar o frango, as folhas de mulukhie e a água até cobrir todo o ensopado, deixar no fogo por 1 hora em fogo baixo, quando estiver terminando colocar 2 colheres de manteiga

Receita de Comida Indiana - Murg Makhani - Frango na Manteiga

Segue a receita de um prato indiano chamado Murg Makhani, um frango cozido na manteiga com molho de tomate e temperos.
Ingredientes para 4 pessoas:
Para o Frango
800 gr de frango (sobrecoxa ou peito). A receita original pede frango desossado cortado em pedaços, mas fiz as sobrecoxas com osso e inteiras e ficou maravilhoso.
1 colher de sopa de iogurte natural
1  colher de sopa de vinagre ou suco de limão (eu usei suco de limão)
1  colher de chá de cada de coentro em pó, cominho em pó e pimenta vermelha em pó
1  cebola bem picada ou em pasta (na receita original é opcional, eu usei e ficou muito bom)
2  colheres de chá de cada de gengibre e alho em pasta
sal à gosto

Para o Molho
4  tomates grandes picados ou batidos no liquidificador (eu piquei no processador e ficou muito bom)
4  colheres de sopa de manteiga
1  colher de sopa de creme de leite
1  colher de chá de cada de coentro em pó , cominho em pó, pimenta vermelha em pó e pimenta do reino (como eu não gosto tanto de pimenta, usei meia colher para a pimenta vermelha)
2  colheres de chá de cada de gengibre picado e pimenta verde picada (o prato que fiz não levou a pimenta verde, pois não tinha à mão no momento da receita)
sal e açúcar à gosto (para o açúcar, usei uma colher de chá)

Modo de fazer:
1. Fure os pedaços de frango com um garfo. Em uma tigela, misture bem todos os ingredientes para marinar e adicione o frango, cuidando para que o frango fique totalmente envolto nos temperos. Cubra com filme plástico e leve à geladeira. Deixe marinar por, no mínimo, 2 horas. Algumas receitas de Murg Makhani pedem para deixar de um dia para o outro. Eu deixei marinando por 2 horas e meia.
2. Aqueça metade da manteiga em fogo médio em uma frigideira e coloque o frango juntamente com o marinado. Cubra e deixe cozinhar por cerca de 25  minutos ou até que o frango esteja completamente cozido. Cuidado para não cobrir e esquecer, pois o frango pode grudar. É interessante de tempos em tempos mexer o frango, juntamente com o marinado. Eu deixei cozinhando em  fogo médio e não precisou dos 25 minutos, com uns 20 minutos estava bom. Reserve.
3. Aqueça a manteiga restante em uma panela e adicione a pimenta vermelha, coentro em pó, cominho e pimenta do reino. Frite por alguns segundos. Adicione os tomates, sal, açúcar e cozinhe sem tampar em fogo médio por cerca de 10  minutos até que o molho engrosse um pouco e o óleo separe.
4. Adicione o frango, o gengibre e a pimenta verde (se usar) a este  molho para ele terminar o cozimento pegando o tempero do molho. Deixe por, aproximadamente, mais uns 10 a 15 minutos em fogo baixo.
5. Despeje o creme de leite, mexa bem e deixe no fogo baixo mais uns 2 a 3 minutos para misturar bem.

Sirva com arroz branco.

P.S .: " Antes de adicionar o creme de leite ao molho , colocar cem gramas de castanhas de caju moidas (sem sal ) no molho, as castanhas darão um toque especial e o molho ficará mais encorpado.

P.S.: Quando estiver preparando o arroz substitua o oleo por manteiga e adicione na hora que estiver refogando , 1 folha de louro, 3 cravinhos e 1 pauzinho de canela .
 
Amar é ter um pássaro pousado no dedo.
Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que,
a qualquer momento, ele pode voar”
 
Rubem Alves

Uma Natureza Gentil, Tão Difícil de Encontrar por Selma Cook, traduzido por Hanifa Ponte

Não necessitas de chorar, de ires a correr e esconder-te
Basta apenas, vires sentar-te ao pé de mim
Aconchega-te confortavelmente nos meus joelhos
Eu quero contar-te uma história
Muitos conhecem-na – e não sou poucos
É uma história de há muito tempo, sabes
Mas a sua mensagem trás a verdade para ti e para mim
É acerca de um grande homem
Deus enviou-o – com o seu plano
Enviando a Sua orientação e misericórdia para nós
Para que nós possamos viver e morrer com confiança
Para Aquele que criou tudo que há
Ele sabe tudo, e ninguém se atreve
A questioná-lo – excepto o homem!
E aqui nos sentamos todos os dias e escolhemos
o certo ou o errado – que faz com que ganhemos ou percamos
Muhammad veio com uma palavra amável
Uma natureza gentil, tão difícil de encontrar
Entre a ganância e a luxúria viciosa da humanidade
Que não para até ele virar poeira
Muhammad veio para acabar com a Guerra e chora
Coloca de lado o mau batoteiro e truques
Ajuda as crianças órfãs a crescer
Na segurança do conforto, ele há-de saber
Que Deus sozinho tem todo o poder
Ele mantém e protege cada dia e hora
Então Muhammad ensina-nos a não ter medo
A amar mais Deus – para O manter prezado
Para Nascermos sozinhos e morrermos sozinhos
E para ele retornaremos, lado a lado
Muhammad foi amado por tudo que é bom
Mas homens hostis o enfrentaram
Eles não suportam ouvir a palavra
Da verdade e paz do nosso Senhor
Diz ao homem para parar com a ganância
O pobre e o necessitado ele deve alimentar
Não matar e não odiar
Mas espalha a Sua mensagem
Por certo a hora virá por último
Lágrimas cairão por todo esse passado
Mas corações repousados lidarão com a paz
Um favor que nunca acabará
Então vem agora minha querida pequenina
Continua a crescer e aprender a não ter medo de ninguém
Porque nada se move sem a Sua palavra
Todos confiam no seu senhor
Então enquanto cresces e apreendes
A amar o que é bom – rejeitar toda a maldade
E juntos iremos dar o nosso melhor
E passar o teste mais difícil desta vida
Selma Cook é directora da Edição “The Youth Section and Volunteer Youth Resource Network at IslamOnline.net”. Ela escreveu muitos livros, inclusive: “Buried Treasure (Uma novela islâmica para adolescentes), “The Light of Submission” (Poesia Islamica). Ela também editou e revisou muitos livros islâmicos.